Ao entrar na sala de aula já me
deparo com as cadeiras posicionas em círculos e as mesas ausentes. Nesse
momento, passava pela minha cabeça que com certeza, nessa aula haveria algo de
diferente, de especial. Isso fez com que a minha insegurança do inesperado se
aflorasse um pouco, mas conversando com a turma fui me segurando.
Uma aula que foi programada, e necessária
para a turma, com o intuito, talvez, de melhorar a percepção pelo outro, de
saber ouvir, de saber enxergar o próximo e a sua necessidade de fala,
aprendendo a respeitar o momento de cada um. Fizemos a análise primeiramente das
seguintes imagens:
Observamos uma pessoa com um auto falante
falando, ou melhor, gritando. E a outra receptora da mensagem em uma cúpula onde
o som não atravessava as paredes, logo, ele não ouvia o outro. Podemos assim interpretar
que a pessoa isolada é insensível, esta afora da situação. Como por exemplo, em
nosso dia a dia, quando alguém conversa conosco e inconscientemente estamos
pensado em algo diferente e acabamos que não ouvimos o outro e ai envergonhados
apenas acenamos com a cabeça ou perguntamos de novo o que a pessoa falava. Para
min, esse momento expressa esse isolamento. A diferença é que a pessoa no auto
falante pode ser quem esta tentando falar algo importante ou apenas algo mais
leviano. O uso desse auto falante é um recurso utilizado para expressar a
necessidade desse falante em falar, em se comunicar, uma medida de desespero de
ser notado.
Nessa imagem percebemos duas mãos que podem ou não
ser da mesma pessoa. Mas repare que a as mãos são órgãos simétricos, elas se
encaixam, se completam em ações. Assim
como o ser humano, o que expressa à necessidade dos seres de andarem juntos, de
apresentar uma correspondência entre si.
Logo essa imagem onde em uma mão está o ouvido, o receptor da mensagem,
e na outra uma boca, o transmissor da mensagem, podemos concluir essa equidade
que é necessária para o ser humano. O qual, cada ser, merece ser ouvido e
escutado. E com essa ação possibilita a criação harmônica dos seres, assim como
a ação harmônica dos movimentos das mãos.
Após
a analise dessas imagens, teve a frase:
Sim, falar é uma necessidade que
nós animais temos. Tive até uma experiência dessa necessidade quando era preciso
ficar dez minutos em silêncio para a gravação dos áudios ao redor. Experimentei
a inquietação e a agonia dessa necessidade até que foi resolvido afastar-se do
gravador para podermos comunicar com os integrantes do grupo. Então, mais que
certeza, falar é necessidade. É através desse meio que podemos expressar o que
queremos e o que sentimos. Porém, a fala é natural, ao contrario de escutar. Só
escutamos o que queremos, pois existe um filtro inconsciente julgado por nós do
que é necessário ou não ouvir. Sendo que, tudo é necessário ouvir.
Podemos tomar como exemplo também, da necessidade
de falar e da ausência da sociedade quando se trata de escutar, através dos meios
de comunicação. Como, no facebook, podemos notar que há varias pessoas que
sentem a necessidade de postarem o que fazem, como se sentem, como uma medida
de escape, na busca por um ouvinte (leitor). Ou seja, escutar é uma arte. Nem
todos sabem escutar e com isso excluem-se pessoas podendo provocar doenças. O
que é demonstrado pela procura de psicólogos, psicanalistas e psiquiatras.
Esses são profissionais especializados no dom de escutar, o qual, por meio do
simples ato de escutar os problemas, o dia a dia de alguém, vários problemas
assim podem ser resolvidos. Essa arte necessita e deve ser praticada por todos,
diariamente, pois, apenas assim conseguiremos escutar o próximo sem distinguir
assuntos e pessoas.
Posso dizer que colocamos em prática
essa frase no seguinte momento da aula: fizemos uma roda mais fechada a através
de uma bola, quem estivesse segurando-a, iria compartilhar com o grupo como foi
a sua entrada na UFSB. Nesse momento foi necessário que todos ficassem em
silencio e apenas quem segurasse a bola tinha o direito da fala. Não podemos esquecer
que não é apenas a fala o meio de comunicação, existem também os gestos, as expressões,
o olhar.
Quando chegou o meu
momento de compartilhar a historia da minha entrada na faculdade, o nervosismo
subiu e ao meu parecer, comecei a falar rápido e desviar o olhar das pessoas.
Até porque, esse foi um momento difícil em minha vida e precisei me conter
emocionalmente, não queria me emocionar ali, na frente de todos. Por ser um
assunto delicado, precisei ser precisa e pontual nos acontecimentos. Mas ainda
assim, tive colegas que vieram falar comigo que gostou da minha historia e me compreendeu. Ou seja, muitos realmente praticaram a arte
de escutar nesse momento.
No segundo momento da aula tivemos uma surpresa,
a visita de deficientes auditivos. Eles compartilharam a experiência de vida e
sua dificuldade nesse processo de ingresso a escola e de se comunicar com a família.
Aprendi a importância da língua em sinais para eles e a diferença tremenda de
saber para poder se comunicar. Assim como os gestos que usamos como tentativa
de se comunicar quando não podemos falar, eles usam gestos, sinais e expressões
faciais e corporais, no lugar dos sons.
Foi
uma aula emocionante, principalmente quando perguntado a uma visitante qual o
som ela gostaria de poder ouvir e a resposta foi o choro do seu filho. Essa
aula me despertou a curiosidade, à vontade e nasceu um novo sonho, objetivo
para minha vida. Irei aprender a língua em sinais. Vejo que esse conhecimento
só irá me acrescentar e a oportunidade de poder incluir alguém a um meio, de
ajudar, de poder compreender e comunicar é encantador.
Dica:
Aplicativo Hand Talk, você traduz automaticamente texto e áudio para a língua de
sinais, e de graça. Foi eleito pela ONU o melhor APP social do mundo. http://www.handtalk.me/app
Fotos desse segundo momento:
| AMO UFSB |

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