terça-feira, 14 de julho de 2015

7ª Aula – Diário sonoro; Silêncio.

Ao entrar na sala de aula já me deparo com as cadeiras posicionas em círculos e as mesas ausentes. Nesse momento, passava pela minha cabeça que com certeza, nessa aula haveria algo de diferente, de especial. Isso fez com que a minha insegurança do inesperado se aflorasse um pouco, mas conversando com a turma fui me segurando.
Uma aula que foi programada, e necessária para a turma, com o intuito, talvez, de melhorar a percepção pelo outro, de saber ouvir, de saber enxergar o próximo e a sua necessidade de fala, aprendendo a respeitar o momento de cada um. Fizemos a análise primeiramente das seguintes imagens:

Observamos uma pessoa com um auto falante falando, ou melhor, gritando. E a outra receptora da mensagem em uma cúpula onde o som não atravessava as paredes, logo, ele não ouvia o outro. Podemos assim interpretar que a pessoa isolada é insensível, esta afora da situação. Como por exemplo, em nosso dia a dia, quando alguém conversa conosco e inconscientemente estamos pensado em algo diferente e acabamos que não ouvimos o outro e ai envergonhados apenas acenamos com a cabeça ou perguntamos de novo o que a pessoa falava. Para min, esse momento expressa esse isolamento. A diferença é que a pessoa no auto falante pode ser quem esta tentando falar algo importante ou apenas algo mais leviano. O uso desse auto falante é um recurso utilizado para expressar a necessidade desse falante em falar, em se comunicar, uma medida de desespero de ser notado.


Nessa imagem percebemos duas mãos que podem ou não ser da mesma pessoa. Mas repare que a as mãos são órgãos simétricos, elas se encaixam, se completam em ações.  Assim como o ser humano, o que expressa à necessidade dos seres de andarem juntos, de apresentar uma correspondência entre si.  Logo essa imagem onde em uma mão está o ouvido, o receptor da mensagem, e na outra uma boca, o transmissor da mensagem, podemos concluir essa equidade que é necessária para o ser humano. O qual, cada ser, merece ser ouvido e escutado. E com essa ação possibilita a criação harmônica dos seres, assim como a ação harmônica dos movimentos das mãos.

Após a analise dessas imagens, teve a frase:  

Sim, falar é uma necessidade que nós animais temos. Tive até uma experiência dessa necessidade quando era preciso ficar dez minutos em silêncio para a gravação dos áudios ao redor. Experimentei a inquietação e a agonia dessa necessidade até que foi resolvido afastar-se do gravador para podermos comunicar com os integrantes do grupo. Então, mais que certeza, falar é necessidade. É através desse meio que podemos expressar o que queremos e o que sentimos. Porém, a fala é natural, ao contrario de escutar. Só escutamos o que queremos, pois existe um filtro inconsciente julgado por nós do que é necessário ou não ouvir. Sendo que, tudo é necessário ouvir.
Podemos tomar como exemplo também, da necessidade de falar e da ausência da sociedade quando se trata de escutar, através dos meios de comunicação. Como, no facebook, podemos notar que há varias pessoas que sentem a necessidade de postarem o que fazem, como se sentem, como uma medida de escape, na busca por um ouvinte (leitor). Ou seja, escutar é uma arte. Nem todos sabem escutar e com isso excluem-se pessoas podendo provocar doenças. O que é demonstrado pela procura de psicólogos, psicanalistas e psiquiatras. Esses são profissionais especializados no dom de escutar, o qual, por meio do simples ato de escutar os problemas, o dia a dia de alguém, vários problemas assim podem ser resolvidos. Essa arte necessita e deve ser praticada por todos, diariamente, pois, apenas assim conseguiremos escutar o próximo sem distinguir assuntos e pessoas.

Posso dizer que colocamos em prática essa frase no seguinte momento da aula: fizemos uma roda mais fechada a através de uma bola, quem estivesse segurando-a, iria compartilhar com o grupo como foi a sua entrada na UFSB. Nesse momento foi necessário que todos ficassem em silencio e apenas quem segurasse a bola tinha o direito da fala. Não podemos esquecer que não é apenas a fala o meio de comunicação, existem também os gestos, as expressões, o olhar.  
Quando chegou o meu momento de compartilhar a historia da minha entrada na faculdade, o nervosismo subiu e ao meu parecer, comecei a falar rápido e desviar o olhar das pessoas. Até porque, esse foi um momento difícil em minha vida e precisei me conter emocionalmente, não queria me emocionar ali, na frente de todos. Por ser um assunto delicado, precisei ser precisa e pontual nos acontecimentos. Mas ainda assim, tive colegas que vieram falar comigo que gostou da minha historia e me compreendeu.  Ou seja, muitos realmente praticaram a arte de escutar nesse momento.

No segundo momento da aula tivemos uma surpresa, a visita de deficientes auditivos. Eles compartilharam a experiência de vida e sua dificuldade nesse processo de ingresso a escola e de se comunicar com a família. Aprendi a importância da língua em sinais para eles e a diferença tremenda de saber para poder se comunicar. Assim como os gestos que usamos como tentativa de se comunicar quando não podemos falar, eles usam gestos, sinais e expressões faciais e corporais, no lugar dos sons.                
Foi uma aula emocionante, principalmente quando perguntado a uma visitante qual o som ela gostaria de poder ouvir e a resposta foi o choro do seu filho. Essa aula me despertou a curiosidade, à vontade e nasceu um novo sonho, objetivo para minha vida. Irei aprender a língua em sinais. Vejo que esse conhecimento só irá me acrescentar e a oportunidade de poder incluir alguém a um meio, de ajudar, de poder compreender e comunicar é encantador.

Dica: Aplicativo Hand Talk, você traduz automaticamente texto e áudio para a língua de sinais, e de graça. Foi eleito pela ONU o melhor APP social do mundo. http://www.handtalk.me/app

Fotos desse segundo momento:




AMO UFSB









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