Assim como o próprio titulo, essa aula foi a privação de um
sentido muito utilizado. Aquele órgão sensorial que através de várias ondas que
incide sobre a retina, faz a leitura pelos bastonetes, com a percepção da luz,
e com os cones, a percepção da cor, formando imagens ao ser processada pelo cérebro.
A impossibilidade do uso desse sentido induziria
a maior sensibilidade dos outros sentidos, em uma tentativa de recuperar o
perdido. Sentados em círculo e vendados, passavam-se objetos diferentes para
que possamos sentir o seu peso, textura, e tamanho. Era de certo modo incômoda
a tentativa de identificar um objeto, onde a imaginação aflorava. Como também,
gratificante ao identificar um objeto sem vê-lo, onde muitos nunca eu havia
passado a mal para sentir como é. Um exemplo desses foi a rodinha de cadeira e
outro exemplo que tive uma sensação inicialmente de agonia foi o brinquedo
amoeba, o qual, momentos depois lembrei que já havia brincado com ele na infância,
uma geleia fria, macia, bastante maleável além do cheiro de cola e álcool que
era legal.
Após esse primeiro momento, fomos
acompanhados a nos retirar da sala de aula ainda com os olhos fechados. Tive
insegurança, aflição e fiquei muito desorientada. A professora segurou minhas
duas mãos, me guiando até a saída. Nesse momento ao sentir a mão dela, senti
que agarrei com força como se fosse um porto seguro. Ao sair da sala e tirar a
venda, estava desorientada, tanto aonde olhar, o que fazer e no que falar. Apenas
após alguns segundos “tomei consciência” e fui para perto dos que já haviam saído
Cooperação sensível – 2 parte
Esse desafio foi realizado parcialmente, pois assim como
eu, muitos não havia entrado em contato com aqueles equipamentos e não se tinha
se quer uma noção do que fazer.
Logo em seguida, mais dois voluntários foram
convidados a experimentar as cadeiras de rondas enquanto o Irlando nos davam
informações de como usar, do que a cadeirante sente e da sua impotência quando
guiada por alguém. Ou seja, demonstrou a imensa importância daquele que empurra
o cadeirante e de sua responsabilidade com o próximo. Após esse momento ficamos
livres para experimentar os equipamentos na tentativa de simular o como é ser
deficiente de alguma habilidade.
Experimentei
ser deficiente visual caminhando pela universidade como o auxilio de um guia,
da bengala e do piso com sinalização para tal. Insegurança foi o que mais
faltou nesse momento, pois a sensação de que eu iria esbarrar em uma parede, um
poste não passava. Além da percepção dos pisos de sinalização que para min foi
bastante difícil identificar o de parada, com as bolinhas, e o de siga, com as
linhas. Em seguida amarrei minha perna e usei a muleta, a força nesse momento
que era preciso colocar foi bem desgastante. Logo, experimentei a cadeira de
rodas, apesar de que momentaneamente divertido, quando o meu guia pisou para
que a cadeira levantasse a impotência que senti, o medo, o desespero foram altíssimos.
Essa
foi a ultima aula desse componente, e assim como tal, finalizada com chave de
ouro. Uma experiência única que em qualquer outra universidade não teríamos
porem de imensa importância. Essa aula mostrou o quanto podemos fazer a diferença
ao colocarmos no lugar do próximo. E agora, que venha o dia do sensível!





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