terça-feira, 11 de agosto de 2015

Carta - Última postagem

Teixeira de Freitas, 11 de agosto de 2015.
Minha mãe linda,               

                                                            
                Como você esta? E Murilo, pai e os cachorros? Nossa quanta saudade que estou de casa, mas sei que a distancia física de hoje é por um bem maior. Não vejo a hora de chegar às férias e poder ficar com vocês. A faculdade anda bastante puxada, muitos trabalhos agora na reta final do quadrimestre. Mas estou gostando bastante. Conheci muita gente bacana e os professores também. Sinto que é a construção de uma grande família aqui.
                Os componentes curriculares que estamos tendo são bem diferenciados. Até assusto quem vem de fora e conhece. Apesar do inusitado e pensarmos que é algumas coisas são sem pé nem cabeça, vejo agora no final que todas as aulas existiam sim o porquê e para que ter tido tais aulas.
                O componente que mais me fez pensar mãe, foi o experiências do sensível.  Realmente assim como o nome, foram várias e várias experiências.  Sinto que foi criado para despertar novamente aquele olhar que tínhamos quando éramos criança. Sabe aquele olhar puro, curioso e amável? Então, esse mesmo.  Essas aulas foram renovadores de olhar e de atitudes mais humanizadas, valorizando o simples da vida e o que realmente é o mais importante. Valorizar também os nossos dons, os sentidos, e aprender a usa-los de maneira consciente respeitando o próximo. Foi um componente único e só quem vivenciou sabe dizer o quanto nos afeta tornando-se mais sensíveis.
                Bom, estou morrendo de saudades de todos e logo eu chego e te conto mais sobre a faculdade. Acho que me empolgue com esse componente né? : ] Em fim, contando os dias para ir para casa. Beijo e amo você, manda beijos para todos.



De sua filha com muita saudade,
Hortência S. Andrade.

11ª Aula - Um pouco sem sentido - Parte 1

Assim como o próprio titulo, essa aula foi a privação de um sentido muito utilizado. Aquele órgão sensorial que através de várias ondas que incide sobre a retina, faz a leitura pelos bastonetes, com a percepção da luz, e com os cones, a percepção da cor, formando imagens ao ser processada pelo cérebro.
A impossibilidade do uso desse sentido induziria a maior sensibilidade dos outros sentidos, em uma tentativa de recuperar o perdido. Sentados em círculo e vendados, passavam-se objetos diferentes para que possamos sentir o seu peso, textura, e tamanho. Era de certo modo incômoda a tentativa de identificar um objeto, onde a imaginação aflorava. Como também, gratificante ao identificar um objeto sem vê-lo, onde muitos nunca eu havia passado a mal para sentir como é. Um exemplo desses foi a rodinha de cadeira e outro exemplo que tive uma sensação inicialmente de agonia foi o brinquedo amoeba, o qual, momentos depois lembrei que já havia brincado com ele na infância, uma geleia fria, macia, bastante maleável além do cheiro de cola e álcool que era legal.   
Após esse primeiro momento, fomos acompanhados a nos retirar da sala de aula ainda com os olhos fechados. Tive insegurança, aflição e fiquei muito desorientada. A professora segurou minhas duas mãos, me guiando até a saída. Nesse momento ao sentir a mão dela, senti que agarrei com força como se fosse um porto seguro. Ao sair da sala e tirar a venda, estava desorientada, tanto aonde olhar, o que fazer e no que falar. Apenas após alguns segundos “tomei consciência” e fui para perto dos que já haviam saído
Cooperação sensível – 2 parte

                 A segunda parte da aula foi sobre a acessibilidade e as dificuldades enfrentadas por aqueles portadores de alguma doença física. Foi ministrado pelo senhor Irlando, presidente da Associação Teixeirense dos Portadores de Deficiências – ATDP. Desafiado por ele a montar alguns equipamentos de suporte a deficiências como a muleta, o andador e as cadeiras de rondas, os colegas tentaram montar. Apesar de não ter sido voluntaria nesse momento, percebia a agonia daqueles que imaginavam aonde cada peça iria se encaixar na correria do tempo.



Esse desafio foi realizado parcialmente, pois assim como eu, muitos não havia entrado em contato com aqueles equipamentos e não se tinha se quer uma noção do que fazer.

Logo em seguida, mais dois voluntários foram convidados a experimentar as cadeiras de rondas enquanto o Irlando nos davam informações de como usar, do que a cadeirante sente e da sua impotência quando guiada por alguém. Ou seja, demonstrou a imensa importância daquele que empurra o cadeirante e de sua responsabilidade com o próximo. Após esse momento ficamos livres para experimentar os equipamentos na tentativa de simular o como é ser deficiente de alguma habilidade.                                                                            
Experimentei ser deficiente visual caminhando pela universidade como o auxilio de um guia, da bengala e do piso com sinalização para tal. Insegurança foi o que mais faltou nesse momento, pois a sensação de que eu iria esbarrar em uma parede, um poste não passava. Além da percepção dos pisos de sinalização que para min foi bastante difícil identificar o de parada, com as bolinhas, e o de siga, com as linhas. Em seguida amarrei minha perna e usei a muleta, a força nesse momento que era preciso colocar foi bem desgastante. Logo, experimentei a cadeira de rodas, apesar de que momentaneamente divertido, quando o meu guia pisou para que a cadeira levantasse a impotência que senti, o medo, o desespero foram altíssimos.                                                                                              Essa foi a ultima aula desse componente, e assim como tal, finalizada com chave de ouro. Uma experiência única que em qualquer outra universidade não teríamos porem de imensa importância. Essa aula mostrou o quanto podemos fazer a diferença ao colocarmos no lugar do próximo. E agora, que venha o dia do sensível!









domingo, 2 de agosto de 2015

10ª Aula - Memórias sensoriais

Um cheiro característico, um perfume ou o cheiro próprio de cada pessoa de quem gostamos como é bom. Lembro-me dos dias que meu irmão volta para casa e ao ir embora o seu cheirinho fica em seu quarto, onde ao passar no corredor sentimos aquela saudade da presença. E quando chove aquele cheiro de terra molhada que era sinal de vê filmes e ficar de baixo da coberta com um bom chocolate na companhia dos primos nas férias.
Nesse gosto pelas lembranças, dos bons momentos vividos na infância, que saudade nos dar... Isso faz com que percebemos como tudo tem passado tão rápido. Hoje, já na faculdade, ontem na casa da minha avó pedindo bala e chocolate. Vamos vivendo assim, em constante construção de memórias e sensações, mas é difícil achar que a lembrança de hoje seja melhor que há de 10 anos atrás. Essa de 10 anos, temos consciência de que não voltará mais e a impossibilidade de repeti-la. Restando apenas memórias e fotos. Logo, sabemos que cada momento é único, mas será que damos o mesmo valor para essas memórias presentes?

Infelizmente desconsideramos a importância do presente, é quase que inevitável, mas de uma coisa tenho certeza, essa aula já é uma memória sensorial. Como esquecer a sensação de comer quatro balinhas de goma e apenas por estar privando o olfato e a visão, achar que eram diferentes e de gosto ruim, de remédio. Sendo que eram simples jujubas. É incrível e foi incrível perceber como a privação de tais sentidos interfere tanto em nosso dia a dia.
Através da ausência ou junção desses sentidos temos a formação do gosto para o paladar para finalmente a junção de ambos, originando o sabor. E como nessa aula estimulamos bastante esse quesito, é inevitável recordar essa aula e não ter água na boca. Essa expressão ‘‘água na boca’’ é aquele momento que sentimos o cheiro ou lembramos de algo bem saboroso e salivamos. Um reflexo do nosso organismo preparando a boca para todo o processo de deglutição estimulado pelo desejo. Assim como é bom ter água na boca, melhor ainda é sacia-la.
E então tivemos o compartilhamento das memórias na feira de saberes e sabores.
Eu escolhi trazer o brigadeiro, o qual modéstia a parte foi bem elogiado pelo sabor. O nome brigadeiro é advindo de uma história popularizada nos anos 1980 em homenagem ao brigadeiro Eduardo Gomes que foi candidato à presidência da República pela União Democrática Nacional. Esse doce me remete as férias, as reuniões de primos que independente do que fossemos fazer sempre tinha o brigadeiro presente. E claro essencial nas festas de aniversários. Ou seja, independente do estado emocional, feliz ou triste, ou do momento, para min o brigadeiro estará sempre presente.


No ultimo momento da aula tivemos o inicio da construção da bandeira que define a identidade territorial na UFSB.

O símbolo por min escolhido é o contorno do Brasil nos remetendo a terra e ao seu significado, como também a diferença de naturalidade dos colegas de sala. E dentro desse mapa a imagem representativa da junção de todas as experiências vividas nesse componente até então.